terça-feira, 14 de junho de 2011

Voe minha querida

Sou feita de momentos e de emoções. Estou carrega e carrego uma mala ainda mais pesada. O que tem dentro é segredo. Se eu conto, perde a graça. Mas te digo uma coisa: é pesado e também é feliz. É feito de paz e de guerra. É feito de amor e de incertezas.

O que eu carrego só eu sei. Eu, que vivo dentro dessa caixa que se move, cujos buracos dos olhos me permite caminhar, nada sei sobre o amanhã. Ele abre sua boca e me engole antes da hora. Ou sou eu que me engulo já premeditando o segundos a frente?

Quero paz. Mas quando há caos, vejo apenas redemoinhos. Tudo roda. Eu rodo e não paro mais. Tudo roda junto comigo. Sufoca. Preenche. Encanta. Entristece.

Minha mala, minha bagagem está pesada, mas meus olhos enxergam melhor. É preciso chorar muito para ver o dia mais bonito depois, afinal, depois de tanta chuva vem um arco-íris para colorir o céu, dar um brilho ainda mais forte ao Sol. Uma esperança, tola, mas que aquece.

Preciso de uma fogueira e bons livros, ou vou enlouquecer dentro do meu próprio caos que se chama vida e que eu ainda estou procurando seu manual.

Borboleta, voe, voe mais alto e traga uma flor para mim.
Obrigada.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

sede.

Hoje eu estou com sede. Sede ardente que queima minha alma. Uma sede tortuosa, dolorida, que forma bolhas na pele. Eu quero, eu quero e eu quero. Um querer tão intenso que transforma minha sede numa imputação de órgãos.

Um desejo. Um forte desejo de possuir, de dominar. Eu quero tanto que dói tudo. É uma esperança talvez? É uma certeza? Não, não. Acho que é apenas um querer muito forte, muito cruel. Que ao invés de eu dominar, me domina. Sou presa fácil nessa grade. Estou sensível, estou com a ferida aberta. Estou à mercê.

Indevida, insatisfeita e chorosa. Quantas eu tenho que dizer “eu quero”? O que tenho que fazer para saciar minha sede e acabar com minha dor? Eu sou apenas um leão com fome. Um leão fraco numa grade vislumbrando um grande banquete que não pode possuir. Que não é dele e nem foi feito para ele. Foi feito sim para sua dor, para aumentar o seu desejo. Sou um leão que precisa se alimentar.

Vejo a comida... vejo. E quero. Mas... como?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O “talvez” e o “nada”

Por que manter o orgulho e não ter nada, quando você pode simplesmente abrir mão de certas coisas e talvez, talvez ter tudo?

Ser feliz não é vantajoso mais? Manter o orgulho é uma questão de honra? Mas e quando essa “honra” só te traz infelicidade? Não vale apena abrir mão dela? Até onde você iria por sua felicidade? Quantas coisas você sacrificaria por seu orgulho? O que é prioridade em sua vida: orgulho ou felicidade?

Arrependimento. Quero falar dele. Você se arrepende de ter tentando? Ou de nunca ter feito nada e ficar apenas com a idéia do que poderia ter sido? O que é pior? Sentir saudades do que nunca aconteceu, pois teve medo de tentar ou quebrar a cara para saber qual é a real?

O “talvez” não te atiça? O “talvez” não vale a pena? Ter um “talvez” é ter uma certa esperança de ter algo. Enquanto o “nada” é apenas o “nada” e nada mais. O que é melhor aqui: “talvez” ou “nada”?

Think about it.

domingo, 10 de abril de 2011

Decisões

Alguém perguntou para mim hoje

- Por qual motivo está tão radiante?

Hoje eu tive um motivo muito forte para estar de qualquer outra maneira, menos radiante. Mas minha resposta foi categórica:

- Decidi estar assim e estou.

E será assim todos os dias. Não acordarei lamento-me pelo que passou, eu fiz tudo o que podia e fui mais além. Mas todos os meus esforços foram em vão e ainda foram considerados como uma estupidez. Decidi então juntar tudo o que eu tenho de bom ao meu redor, enfiar tudo no mesmo pacote e ver no que dá. E deu nisso: uma energia radiante inundou meu ser e vou agarrá-la com todas as minhas forças para que ela não me escape jamais.

A felicidade deve vir de dentro pra fora. Eu não posso mais dar o luxo de pôr minha felicidade nas mãos de algo ou alguém. Pois é como diz a música de Florence and the Machine “Sooner or later in life, the things you love you loose” então é melhor que eu encontre minha felicidade aqui dentro, arranjar os pilares que me sustentarão dentro de mim, pois tudo na vida a gente perde. Perder faz parte de um crescimento maior e melhor. E tudo parte de uma decisão:

Decidi ser feliz, decidi aceitar as oportunidades a medida em que elas aparecem. E fock off the rest. Eu me importei muito e foi tudo em vão. Agora me importarei menos, serei livre de mim mesma e assim encontrarei minha felicidade. A felicidade só minha que não precisa de nada além de mim mesma para existir. E assim a vida será leve e a borboleta pode finalmente sair do caos e voar livre pelo céu azul.

Essência

A minha essência não é compreendida. É uma tolice sem tamanho que vive dentro de mim. É um mar de esperança que existe sobre a dificuldade de ser. Ser um alguém que não sou. Como ser um alguém cuja essência pode ser aceita? Os outros... os outros nos julgam segundo seus próprios conceitos que julgam estar certos. Eu, por outro lado, estou aberta e isso também não é aceito. É uma luta diária e talvez uma luta em vão, pois não sei como atingir meu objetivo sem usar palavras ou gestos. Não aprendi a usar o silêncio.

É o desespero brotando pouco aos poucos. A incerteza do futuro e o fim está sempre perto, me rondando, me esperando no fim. O fim me espera no fim, pois meu futuro é incerto, mas não o meu destino, o meu fim. O meu fim tá lá, segurando uma lanterna, me guiando na escuridão. E sem outra luz para seguir, aceito esta de bom grado. Nela não há esperança, mas também há. Talvez uma esperança medonha de paz. De fim de todos os fins. Ou seria o começo de outra era? Uma pior? Um a melhor? Ou não haveria nada? Quem realmente pode me dizer alguma coisa?

Vou a julgamento divino? A Bíblia fora escrita por homens, então... como confiar? Como compreender uma linguagem que já parece outra? Que não cabe nos dias atuais? Confiar na turma de Allan Kardec? E se eles estiverem errados? Sou de tentar, sempre. E acho que vou tentar descobrir. Pular no escuro, é o que eu pretendo fazer.

A borboleta está sufocando dentro do caos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

...

“É que passarei por causa do ritmo em seu paroxismo – passarei para o outro lado da vida. Como te dizer? É terrível e me ameaça. Sinto que não posso mais parar e me assusto. Procuro me distrair do medo. Mas há muito já parou o martelar real: estou sendo o incessante martelar em mim. Do qual tenho que me libertar. Mas não consigo: o outro lado de mim me chama. Os passos que ouço são os meus.”

(...)

“Quem me acompanha que me acompanhe: a caminhada é longa, é sofrida mas é vivida. Porque agora te falo a sério: não estou brincando com palavras. Encarno-me nas frases voluptuosas e ininteligíveis que se enovelam para além das palavras. E um silêncio se evola sutil do entrechoque das frases.”

(Lispector, água viva, pp. 20, 21)

terça-feira, 5 de abril de 2011

bruuuuuuu!

Hoje uma brisa leve passou pelo meu corpo. Ele se enrijeceu todo. Era a felicidade passando de levinho e se esgueirando por dentro dele. Ela não me preencheu por completo, mas trouxe uma “esperancinha” de dias melhores. Talvez seja a borboleta dentro do caos.