sábado, 6 de novembro de 2010

“Folie à Deux”

Havia muitas luzes. Luzes coloridas que pintavam as pessoas. Por vezes piscava embalada numa forte nuvem de fumaça com cheiro que eu não podia determinar. Eu estava drogada pelo álcool e pela sensação de adrenalina que inúmeras pessoas exalavam. O lugar estava cheio, os rostos escondidos debaixo daquela escuridão colorida. O som vibrava, invadia meu corpo e o dominava, eu não tinha forças suficientes para conseguir me controlar, era levada por aquelas ondas sonora ritmadas a uma sensualidade que não era minha. Estava possuída.

Como uma fêmea no cio, espargia feromônios a torto e a direito. Atraía quem tivesse um raio a meu redor. Eu, que não era eu, participava de um ritual completamente alheia as suas conseqüências, mas independente disso, não me importava, contanto que aquilo ainda me proporcionasse sentir prazer.

Eu almejava arduamente participar de algo que não me pertencia e queria permanecer naquele habitat por mais tempo do que poderia. Todas as minhas células vibravam e meus átomos se agitavam conforme a temperatura do local que tendia a aumentar cada vez mais. Um, dois, três, quatro, cinco e tantos outros lábios me atingiam sem que eu pudesse negar seus desejos. Estava à mercê da vontade de outrem, era escrava e algoz ao mesmo tempo. Era de todos e de ninguém.

Me perdi naquela noite. Mas me achei na manhã.

Vazio. Um vazio intenso preencheu todo o meu corpo. O silêncio era novidade para meus ouvidos que insistiam em continuar a sugar o barulho daquela noite. Eu estava sozinha em meu quarto, presa em meus pensamentos e domada por sentimentos de possuir e pertencer.

Fui em busca de algo e só encontrei loucura e desesperança. Desespero.

Eu queria de volta o que perdi, mas ansiava pela autodestruição para me punir de meus erros. A porra do amor que afoguei na tequila me dada por um estranho, invadiu minha alma. O amor estava sujo e minha alma apodreceu.

Saudade...