quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sim... diga sim...

Era fácil... era só dizer sim. Poderíamos caminhar a eternidade com um simples sim. Poderíamos ir até as estrelas se o orgulho não nos pregasse no chão. A vida é um tornado e num piscar de olhos, ela se acabou. Se controlar... se machucar... negar... Eu não entendo. Eu não entendo. Era fácil, era simples. Era só dizer sim.

O silêncio ao meu redor, o coração batendo cada vez mais lento... o não me trancou. O não me fez escrava de mim mesma. O não acabou com o sim. Qual a razão de tanto sofrimento? O corpo, o coração, a mente... tudo quer dizer sim e ainda dizemos não. O não que vem do orgulho, do medo. O medo... o medo nos impede de ser feliz. Se arriscar é tudo que temos antes que a vida/tornado nos mate. Antes que deixamos de ver o nascer e o pôr do sol dentro de nós.

Pessoas são felizes quando dizem sim e se arriscam, pois o que há para se perder não é nada. Não há nada a se perder. Na verdade, não há nada a se perder, é tudo invenção nossa. É tudo invenção para nos manter seguros... seguros de quê? Da dor? Ela existe e te persegue mesmo que diga não. Então não há motivos para dizer não.
Sejamos simples, diga sim. Eu quero dizer sim, mas o meu sim sozinho não causa efeito. Quero mudar, quero viver. Quero dizer sim para tudo que venho dizendo não.

Mas eu gostaria que um certo alguém disesse sim tambem. Que não me deixasse dizer adeus pq tem medo de sofrer.
Diga sim... por favor, diga sim.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Segundo no inferno

Ela mais uma vez olhou em seu e-mail. Nada. Nenhuma palavra. Seu coração estava despedaçado, mas não havia nada que ela poderia fazer. Já pedira desculpas um milhão de vezes, chorou, demonstrou arrependimento, prometeu mudanças, e até deixou-se levar culpa por aquilo que não cometeu. Deixou que lhe apontasse o dedo e a ferisse na alma para que pudesse ter de volta aquilo que perdeu.

Não tinha mais nada, nem futuro, nem perspectiva, nem felicidade. Mas tinha a si mesma em tempo integral para se odiar e se amar. Também tinha escolhas... podia ser quem quisesse. Era bonita, inteligente, tinha um emprego interessante que lhe pagavam o suficiente para que uma garota solteira pudesse ter tudo o que desejasse.

E o melhor, podia escolher o homem que bem entendesse. Mas não, a inteligência dela era limitada e todos os homens se resumiam em apenas um: justamente aquele que não a queria mais.

Mas o ano novo estava aí, cheio de promessas e quem sabe boa surpresas.

sábado, 6 de novembro de 2010

“Folie à Deux”

Havia muitas luzes. Luzes coloridas que pintavam as pessoas. Por vezes piscava embalada numa forte nuvem de fumaça com cheiro que eu não podia determinar. Eu estava drogada pelo álcool e pela sensação de adrenalina que inúmeras pessoas exalavam. O lugar estava cheio, os rostos escondidos debaixo daquela escuridão colorida. O som vibrava, invadia meu corpo e o dominava, eu não tinha forças suficientes para conseguir me controlar, era levada por aquelas ondas sonora ritmadas a uma sensualidade que não era minha. Estava possuída.

Como uma fêmea no cio, espargia feromônios a torto e a direito. Atraía quem tivesse um raio a meu redor. Eu, que não era eu, participava de um ritual completamente alheia as suas conseqüências, mas independente disso, não me importava, contanto que aquilo ainda me proporcionasse sentir prazer.

Eu almejava arduamente participar de algo que não me pertencia e queria permanecer naquele habitat por mais tempo do que poderia. Todas as minhas células vibravam e meus átomos se agitavam conforme a temperatura do local que tendia a aumentar cada vez mais. Um, dois, três, quatro, cinco e tantos outros lábios me atingiam sem que eu pudesse negar seus desejos. Estava à mercê da vontade de outrem, era escrava e algoz ao mesmo tempo. Era de todos e de ninguém.

Me perdi naquela noite. Mas me achei na manhã.

Vazio. Um vazio intenso preencheu todo o meu corpo. O silêncio era novidade para meus ouvidos que insistiam em continuar a sugar o barulho daquela noite. Eu estava sozinha em meu quarto, presa em meus pensamentos e domada por sentimentos de possuir e pertencer.

Fui em busca de algo e só encontrei loucura e desesperança. Desespero.

Eu queria de volta o que perdi, mas ansiava pela autodestruição para me punir de meus erros. A porra do amor que afoguei na tequila me dada por um estranho, invadiu minha alma. O amor estava sujo e minha alma apodreceu.

Saudade...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Não.

“Não, Elis, eu não quero mais”. Não foram bem essas palavras que ouvi, mas sua essência não muda. O “não” ainda me maltrata por dentro e ele esteve presente na metade do meu dia. Tinha jurado que não deixaria o “não” me possuir novamente, que seria forte e que ignoraria. Quantas pessoas já ouviram o “não” de outras antes?

Eu olhei dentro daqueles olhos que em outrora me diziam outra coisa e a tristeza foi infinita, havia negação do momento, do amor. O amor morreu? Existiu amor? Fui embora. Me deixei envolver pelo frio, pela chuva e pelo futuro incerto. A garota forte desmoronou. Chorou e sofreu. Hoje ainda sofre, mas não sabe do quê.

Me recuso a terminar o dia chorosa, quero agarrar a alegria e segurar a primavera nos dentes. Sinto o peso do mundo escapando por essas palavras e o alívio é engraçado. Bom. Envolvente. Alegro-me, pois tenho todo o tempo do mundo para mudar meu destino.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Liberdade

Quando me desfiz dos meus sonhos e dos meus amores, vesti uma liberdade que não cabia em mim. Ela era pesada e me pinicava em todos os cantos. Chorei. Chorei aliviada e de dor. Eu não sabia que a liberdade podia doer. Tive medo dela e de certo, ela teve de mim, pois não veio de forma súbita, veio sorrateira, esgueirando-se pelo chão, como uma brisa leve que tocava meu rosto. Era assustador! Tive que carregá-la por muito tempo e sofria a cada passo que dava. Acreditei que era indigna dela ou que ela veio em mau momento, pois nós duas brigávamos cruelmente, sem medidas e sem palavras. Eram tapas ocos e surdos, porém doloridos. Sabíamos não ter vencedor, pois era uma briga eterna.
Quando eu era mais jovem, não podia sair de casa, e desde cedo tive muitos compromissos que tomavam todo o meu tempo. Trabalhava, estudava e fazia diversos cursos. Nunca fui inteiramente livre para fazer o que bem quisesse. Agora, depois de adulta, tenho horas e horas para dedicar somente ao que quero devido à ironia do destino. Achei que ia gostar, mas tudo que foge do meu conhecer, me assusta e a tal liberdade em vez de me levar ao paraíso, me levou ao inferno, pois agora em vez de andar em linha reta como sempre fiz, tenho diversos caminhos para escolher e escolher nem sempre é fácil por sempre ser um mistério. Não gosto de mistérios, de “não saber” e a liberdade proporciona tudo isso. A liberdade é uma coisa muito, mas muito séria e requer responsabilidades. E eu odeio responsabilidades.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"Ela não fala?"

Perguntou a louca no hospício. Sim, eu falo. Mas não respondi em palavras, dei um suspiro e minha mãe respondeu por mim: o gato comeu a língua dela. A louca acreditou, ficou estarrecida diante da idéia de uma menina não ter língua para falar. Minha mãe, percebendo sua ingenuidade continuou se divertindo: lá em casa temos um gato e um dia ele comeu a língua dela. Os olhos da louca se esbugalharam e sua boca sem dentes soltou um “nossa” de olho em mim, como se eu fosse algo bizarro criado pela natureza.
É mentira. Pronto falei. A louca soltou uma gostosa gargalhada e passou a discorrer de sua vida para nós. Só voltei a falar novamente quando ela disse que eu deveria ter treze anos. Mais uma vez a louca ficou abismada quando respondi ter 24.
Sabendo minha idade e concluindo que ainda era nova demais, disse que meus problemas eram simples e em pouco tempo eu estaria bem de novo. Mal sabe ela o meu desejo secreto de deixar a vida, pois ela me dói em todos os lugares do corpo. E que eu sou minha maior inimiga. Mas fiquei pensando: ela é a segunda pessoa doida dentro daquele hospício que diz que meus problemas são simples mesmo sem saber quais são e que logo estaria boa, como se soubessem disso através de minha idade. Mas loucos não perguntam, eles já conhecem todas as respostas, por isso são loucos.